domingo, 30 de junho de 2013

DIAS CINZENTOS NA CAPITAL


Penso naquela cárie bastante profunda
Presente no dente molar do aluno da Uninove
Nos estômagos remexidos em razão das ressacas
Telefonemas e/ou mensagens que não foram dados
A despeito das promessas de que seriam

Jogos de computador, pornografia na internet
As horas escorrem rumo ao vazio
Dores nas costas, alongamentos que não foram feitos
Gorduras viscerais, comidas rápidas nas horas perdidas do dia ou da noite
Cartões de crédito, ingressos, bilhetes do metrô

O sentimento de estar envelhecendo
De deixar de ser uma possibilidade
E tornar-se um fracasso em definitivo
As cáries perserveraram doendo
O hálito de dente careado não estava bom
Mas os chicletes de menta o encobriram

Nas televisões colocadas nos ônibus
Há a notícia de que Ronald, filho de Ronaldo, o Fenômeno
Mudara o penteado
Trata-se da nova personalidade artística brasileira
Construída por bem formados publicitários da Escola de Comunicação
E Artes da Universidade de São Paulo

Naquele drink havia uma dignidade diferente
Era importado o whisk que o compunha
Um novo aparelho celular se repete aos milhões
Mãos descalejadas seguram-nos, e quase nunca os soltam
A chuva forte começou e
As mentes liquidadas lambuzam as calçadas

É mais um dia cinzento na Capital.








quinta-feira, 6 de junho de 2013

DENIS MÃO-QUEIMADA



              Eu tinha uns doze ou treze anos, e estudava no Fábio Barreto. Por ser uma escola pública, era um lugar absolutamente interessante, ainda que deprimente vez ou outra. Nessa idade, tinha muitos amigos. A grande parte deles era pé rapado, como eu. Mas alguns eram miseráveis a ponto de não ter o que comer em casa e esperarem ansiosamente pela merenda, quase sempre sopa fria. Perto desses caras eu me sentia rico.

            Além dos amigos, havia outros caras que às vezes eram legais, outras vezes extremamente violentos. Me lembro de um tal Alexandre Crown (acho que é assim que se escreve o nome dele), era um cara branco, de olheiras profundas e cabelo avermelhado. Um tipo nada comum na nossa escola. Talvez nos identificássemos por sermos brancos.  Ele era muito esperto, e inteligente até, mas sofria de uma terrível oscilação de humor. Uma vez, sem que eu nada perguntasse, levantou a camisa e se virou de costas. Fiquei chocado com a quantidade de vergões, cicatrizes, hematomas. Riu da minha cara de espanto. Teve uma outra sensacional. Ele mostrou os pelos do saco para as minas mais velhas, provando que eles eram ruivos. Naquela idade acredito que ele era o único a ter pelos no saco. Estudamos juntos na quinta série. Na sexta, achei que fosse encontrá-lo, mas fiquei sabendo que havia morrido. Um moleque me contou que Alexandre morreu ao pular no rio, disse que ele estourou a cabeça ao se jogar da ponte e atingir uma rocha.

            Tinha outras figuras estranhas. Um cara chamado Eduardo, que logo passamos a chamar de Edurubu, pois a semelhança com a ave de rapina era óbvia. De tanto zoá-lo, um dia acabei despertando sua fúria e sobrou para os ossos de minha face. Nada mais justo. Edurubu se tornou um grande capoeirista, vai ver fui eu o responsável, hahaha. Só não contava com o que a sorte armou para ele. Isso aconteceu quando já havíamos terminado a escola (eu acho que ele terminou). Edu estava morando com uma mina e, segundo me contaram, a garota estava com muita raiva dele. Enquanto Eduardo dormia, ela jogou água fervente na sua cabeça. Edurubu quase morreu. Mas, uma vez renascido, jamais foi o mesmo. Tornou-se um grande traficante e hoje habita frequentemente grandes presídios.

            Durante meus doze, treze anos, desenhava compulsivamente. Quase sempre retratava colegas de sala de maneira bizarra. Professores também. Não sei se de tanto praticar, acabei ficando bom nisso. Uma vez, na aula de arte, estava desenhando uma paisagem formada por figuras geométricas (acho que esse era o dever). Um cara da minha sala que quase nunca falava comigo, parecia bem mais velho, repetente, colou do meu lado e passou a observar eu desenhando. Fazia uma cara de idiota maravilhado. Aquilo para mim era algo incomum. Esperava que ele tirasse sarro, desse um tapa na minha mão, qualquer coisa, mas não que admirasse. Ele me disse: “cara, você desenha muito bem, que dá hora, pô, você é foda!”
           
            Apesar do estranhamento inicial, fiquei contente por saber que tinha um aliado repetente. Naquela escola nunca sabíamos quando precisaríamos de um desses.

            As manifestações de apreço não pararam por aí. Uma vez a professora de língua portuguesa nos obrigou a ver um filme. Era sobre um garotinho que conversava com seus brinquedos, era um boneco de índio e um boneco de um cara branco do faroeste. Esse garotinho tinha olhos azuis e cabelos loiros. O repetente, no final do filme, chegou em mim e disse: “pô, cara, cê viu os olhos do carinha, azulzinho, que dá hora...o cabelo dele era que nem o seu, e seus olhos são quase como os dele, né?” Nesse momento não sabia o que dizer. O cara era negro, ou melhor, mulato escuro, algo assim, e nutria uma admiração mórbida pelos brancos. Naquela altura eu já sabia que aquilo poderia se dever, em parte, a um padrão estético coisa e tal, certamente não conhecia a palavra estético, mas tinha noção do que era um padrão de beleza. Na minha mente conformei a coisa dessa maneira.

            Um dia, no intervalo da aula, que chamávamos recreio, um cara chegou em mim e disse: você é brother de Denis Mão-Queimada? Eu disse que nem ao menos conhecia. Então o moleque apontou para o meu fã repetente. Eu nem sabia seu nome, muito menos o apelido, Denis Mão-Queimada. Depois de saber o seu nome e apelido, me senti mais seguro diante de uma eventual abordagem da figura. Se o chamasse pelo nome caso se tornasse violento do nada, certamente se acalmaria. Evidentemente, não falaria o apelido. Imaginava que ele o odiasse. Denis realmente tinha numa das mãos marcas de queimadura, o que era suficiente para dar pena. O caso é que poucos tinham pena dele. A maioria tinha medo, e por isso um grupo muito seleto de alunos daquela escola o chamavam de Denis Mão-Queimada.

            O tempo foi passando, e Denis, de uma hora para outra, desapareceu. Quando temos doze, treze ou quatorze anos, as coisas acontecem repentinamente. Nossas cabeças rapidamente se ocupam com algo novo e não nos damos conta da inexorabilidade do tempo. Não damos conta que existe a palavra inexorável.

            O caso é que eu já havia esquecido desse cara, quando ouvi uns garotos conversando e citando seu nome, ou melhor, seu nome completo, Denis Mão-Queimada. Disse a eles que o conhecia, coisa e tal. Aí me contaram que Denis havia saído da escola porque sua mãe tinha sido presa, e ele teve de se virar. Sobrevivia de pequenos furtos e alguns bicos. Acrescentaram que Denis havia quebrado o braço ao cair da cama de João Boludo, um velho horroroso que o enrabava a troco de alguns vinténs. Os moleques, chorando de rir, me disseram: “agora ele não é mais Denis Mão-Queimada, é DENIS GOZINHO.”

            Provavelmente eu devo ter rido junto. Lembrando agora soa como pura maldade. É aquela história do inexorável. A vida é implacável, não dizem? O caso é que Denis me parece, agora, como um garoto que não causa medo algum.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

A PONTE






                                                                              “The river of deceit flows down"
                                                                              (Layne Staley)

O rio era determinado
O sentido para o qual corria era sempre o mesmo
Antes de saltar da ponte, imaginava segui-lo eternamente
Mas uma vez dentro dele, era apenas levado
Não seguia, não agia, não podia, não queria
Acontecia...
De corpo estendido, de costas para o remanso
A luz escurecia a visão.





domingo, 26 de maio de 2013

KELSEN, KANT E LUHMANN


Fiz algo que deveria ter feito há muito tempo. Em cima do guarda-roupas do meu quarto eu depositei, ao longo dos últimos ANOS, textos da Faculdade de Direito. Havia uma quantidade enorme de papéis, quase sempre fotocópias de livros, absolutamente empoeirados. Mais do que uma simples limpeza, o exercício de hoje, para mim, significou um reencontro com o passado, que eu estava, por preguiça, adiando.

A maior parte dos textos versava sobre Filosofia do Direito, os de outras matérias normalmente eu não adquiria. Tive uma estranha sensação ao folheá-los. Quase todos eu havia lido e, mesmo assim, não tinham qualquer significado para mim. Nas três ou quatro viagens que fiz para levá-los à reciclagem, refleti que os poucos anos que me distanciavam daquelas leituras me fizeram perceber o quão falsas, hipócritas, mentirosas, seja lá que nome se queira dar, as festejadas teorias lá presentes são.

Pense comigo, será que é razoável que se dê tanta notoriedade a um pensador cuja obra prima em Filosofia do Direito é dizer que a validade de uma regra deriva de outra que lhe confere igualmente validade? A teoria desse cara, chamada “Teoria Pura do Direito”, define o Direito como um complexo de normas, ligadas umas às outras por relação de validade, formando uma espécie de degrau, um escalonamento. Haveria um início, afinal se o pressuposto da teoria é uma validade dada por uma norma preexistente, chega o ponto de ter que ter um começo, um ponto de atribuição de validade, senão a coisa vai ao infinito. Foi aí que o cara tirou da cartola a “Norma Fundamental” (nesse momento imagino quantos estudantes, acadêmicos de direito, já não se referiram à famigerada, muitas vezes, quase nada pedantes, no original em alemão: “Grundnorme”). Se você perguntar a ele (referindo-se ao autor) ou a ela (referindo-se à Teoria) sobre a fonte de validade dessa norma fundamental, ele ou ela responderia, tranquilamente: ISSO NÃO É UM QUESTIONAMENTO ESTRITAMENTE JURÍDICO, LOGO, ESTÁ FORA DO ÂMBITO DA TEORIA PURA DO DIREITO. A NATUREZA DEONTOLÓGICA DA NORMA FUNDAMENTAL É DE UM CONSTRUCTO ABSTRATO NECESSÁRIO PARA CONFERIR COERÊNCIA À TEORIA. Bonito, não?

O que me provoca desânimo não é o fato de existir essa teoria, e que ela tenha alcançado sucesso. O que desanima é perceber que várias gerações de estudantes de direito aprendem isso na faculdade, como se essa definição fosse a mais exata acerca do que é o direito. Poucos anos de trabalho no tribunal de justiça, entre cartórios judiciais, gabinetes de desembargador e algumas leituras de textos de autores verdadeiramente filósofos (Marx, Sartre, Foucault, Zaffaroni) me fizeram perceber que a pobreza nisso tudo está em não se dar a mínima pra realidade de fora. A universidade cria um código, e o reproduz. Se lá fora o bicho tá pegando, tanto faz, o importante é a erudição, o que vale é citar em alemão “Grundnorme”.

Outro autor vinha com uma história de “Teoria dos Sistemas”. Deus do Céu, quantas vezes, em sala de aula, tinha de ouvir sobre isso. Apesar de toda a empolação, é algo muito simples. O cara parte da ideia de que a sociedade é a totalidade das comunicações. Note, ele não fala em seres humanos que peidam, fodem, dormem e cagam, ele fala em COMUNICAÇÃO. Bonito, não? Aí o gênio germânico imagina a sociedade como vários grupos, esferas de comunicação, entre as quais se destacam algumas por conta de seu tamanho em relação às outras. A Economia, a Política e o Direito são as principais esferas. As bolas se tocam. Política tocando economia dá o quê? Normas jurídicas (Leis) que disciplinam as relações de mercado, etc. Quando a bola da Política toca a do Direito, ocorre a Constituição (documento ao mesmo tempo político e jurídico). Por aí vai. Não é tão complicado, ou é?

A teoria não é ruim. Comparada com a primeira, é até mais bem elaborada. Mas, como eu disse no começo, onde estão as pessoas? Não é algo muito abstrato? Me assusta esse papo de sistema, até porque, ultimamente, até comentarista de futebol fala nisso. Já ouviu aquela conversa de “SISTEMA DEFENSIVO”? Eu sempre rio, quando não me revolto. Se o comentarista fala isso, eu mudo de canal. Lembra daquele verso do Capital (falo da banda, não se preocupe): “Se aparece o Francisco Cuoco, adeus televisão!”? É bem por aí! Será que o cara não percebe que são apenas uns pernas de pau tentando roubar uma bola, fazendo uma linha de impedimento meio torta, dizendo um para o outro “pode ir que eu fico”, “ eu dou o primeiro combate”. Não consigo imaginar que isso tenha qualquer relação com algo tão complexo como um sistema. Converse com os engenheiros eletrônicos, os doidos da informática, esses sim sabem o que é sistema. Ou mesmo com os biólogos e médicos e os peça para que eles expliquem um sistema tal com um sistema digestório, respiratório, excretor. Caso lembre de mais um vale este também.
           
Tinha um assistente de professor que pra dizer Luhmann, dizia LLLHHHHIIIUUUUMANN. Isso foi igualmente marcante.
           
Voltando para as teorias, o que falar do Kant? Lá na Faculdade de Direito ele é o cara! Os professores querem que a gente acredite nos imperativos categóricos. Piada, não acham? “Age no sentido de que sua conduta...” Parece que estou ouvindo um padre rezando sua missa. Nos cinco anos que estive na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco o filósofo de que mais ouvi falar foi ele. Nos passaram alguns textos, obviamente os mais ligados ao Direito. Não são maus. Ele, evidentemente, tem seu valor, foi um grande filósofo e tudo mais. O que questiono não é isso. O que é inacreditável é que filosoficamente a Faculdade de Direito da USP parou no Kant. Parou no século XVIII. Jamais ouvi falar em NIETZSCHE, muito menos em SARTRE. Forcei a barra no curso de Filosofia do Direito II e apresentei um seminário em que citava o Sartre e explicava alguns de seus pressupostos. Palavra, senti um interesse incomum por parte dos estudantes. Era notório que aquela garotada estava carente de discutir questões substanciais, temas reais, que exalam calor, que cheiram bem, ou fedem, ou que roubam nosso calor, mas que são capazes de nos envolver de verdade.

            Novamente tracei o caminho que me levou à ESTUPEFAÇÃO diante do ACADEMICISMO. Me lembrei que o ponto forte foi quando estudei, sozinho, é claro, sobre o existencialismo, e pude confrontar aquela filosofia com o que eu estava aprendendo na faculdade. Foi tiro e queda. Um golpe mortal no idealismo. A São Francisco perdia um estudante entusiasta, e ganhava um inimigo. Óbvio que ela não se importou.

            Passados dois anos que me formei, estou pensando em tentar o Mestrado. Olha que paradoxo. Tô metendo o pau, e agora venho com essa conversa. Deixa eu explicar. Estava falando no Kant, não é? Então, a definição por ele formulada sobre os direitos humanos é a que mais se utiliza nos cursos jurídicos. Pretendo questionar tal definição através de um olhar existencialista. Questionar esse papo de “NATUREZA HUMANA”, e defender que uma concepção dos direitos humanos sob a ótica do existencialismo é muito mais pertinente na medida em que não está descompassada com a realidade. Se o discurso sobre a fundamentação dos direitos humanos parte de uma premissa que leva em conta os homens de carne e osso, que sofrem, amam e apodrecem, a conversa fica mais sincera. Ultimamente, muitos professores de direitos humanos sequer tem ideia do que estou falando. É triste, mas é assim. Eles acham que um muçulmano deve engolir os imperativos kantianos. Que os homens têm uma mesma natureza. Que é possível estabelecer padrões comportamentais apriorísticos que inevitavelmente farão com que alcancemos uma paz perpétua. Tem que ter muita paciência, não acham? Eles não fazem ideia de que o que nos une enquanto humanos é padecermos de uma mesma condição, que pode ser chamada de condição humana. Todos nós, pigmeus, esquimós, cambojanos, aborígines, suecos, estamos fadados a sermos livres, e, querendo ou não, somos responsáveis por muito do que tá acontecendo. Ao invés dos formais imperativos categóricos, prefiro pensar como o Sartre, que quando você escolhe para si, está escolhendo para todos. Compreende? É com essa conversa que quero MESTRAR por lá. O problema será encontrar professor que tope me orientar, pois se quiserem que eu leia o Kelsen, o Luhmann e o Kant não vai rolar, seus textos foram urgentemente reciclados.







GIGANTES GASOSOS DO UNIVERSO





Assustado pelo vazio
Enquanto se vê repleto de coisas
Como pode haver tanta contradição?
Penso que a vida deveria ser bem mais simples.

Apesar dos pensamentos
Ocorreu que, naquela noite de domingo,
As coisas não aconteceram como soavam acontecer
Por que, diabos, depois de tanto tempo?
Tudo estava devidamente arrumado
Prateleiras instaladas, móveis limpos
Não era motivo para comemorar?
E então? Por que sofria?

O vazio é pesado
Gigantes gasosos do universo

“Não tem que fazer sentido, meu caro!
Relaxa, esqueça!
Se você pensar de mais pode enlouquecer
(Como se loucos já não estamos todos)
Repense, ressinta
Sofrer é bom, é viver
Quantas solidões lhe aguardam, não perderá por esperar”

Que somos fortes, posso concordar
Mas não dá pra negar que a solidão faz doer os ossos

Criaturas inconvenientes
Ousaram entender a si mesmas
Olhe os animais, e observe, depois, os homens
Somos tão estranhos
Algo deu errado na evolução

Muito grito para que tudo dê certo
Quando nós, a despeito de tudo que martela em nossas mentes,
Humildemente, temos que reconhecer:
Não passamos de um engano.



POR QUE OPTEI PELO BLOG




             Essa foi uma pergunta que me fiz várias vezes. Todos estão no facebook, não seria melhor escrever por lá? Do ponto de vista mercadológico, a opção pelo "Face" era bastante óbvia. Ocorre, porém, que confesso sentir um certo nível de náusea por aquelas bandas, e uma repulsa não tanto menor por esse papo de mercadologia. Vou me explicar melhor.
            Acima está o diretor, eu acho que é isso, ou presidente, sei lá, do "Facebook no Brasil". Muito bem. Estiloso ele, não? O cara fez questão de que o fotografassem ostentando essa maravilhosa bicicleta azul. De fato a bike é sensacional e já vou adiantando, não tem culpa de nada. Lembre que a magrela é um ser inanimado. Se anda por aí é por propulsão humana. Não é capaz de desenvolver uma inconveniente consciência, OK?
           O bonitão da foto, "Capo di Face", veio com uma conversa extremamente marqueteira para os jornalistas que cobriram a inauguração do escritório da multimilionária empresa/ rede social. Segundo ele, no escritório os funcionários se locomovem usando bikes, skates, patins. Como são defensores de causas ecológicas, acreditam que o uso cotidiano de transportes alternativos é algo bastante salutar para o nosso sofrido planeta. Depois dessas palavras, calculo que muitos usuários do facebook passaram a fazer uso da rede social com muito mais tesão. Usar o "face" teria um quê de politicamente correto. Não estaria mentindo se lhes dissesse que desejo, vez ou outra, ser mais idiota do que já sou. Acreditar na publicidade, ser seduzido pelas artimanhas marqueteiras, com certeza, em alguma medida, me traria uma certa sensação de felicidade, bem estar. Entendem? Bom, mas voltando à justificativa, preciso deixar claro que quando vi essa reportagem, logo me veio à mente que esse yuppie chefão do face POSA com a bicicleta, dá uma de engajado em causas ambientais, mas, após o expediente, entra num carrão blindado, todo preto, altamente potente, de rodas bem grandes, imponente, aristocrático, que faz rememorar os grandes industriais do século XIX.
             Penso que vivemos tempos de LADYGAGALIZAÇÃO DA REALIDADE. Isso significa que a verdade deixa de importar. O que vale são as imagens. Como canta Lobão: É TUDO POSE!
              A história da pose do chefe do "Face Brasil" é só um exemplo que ilustra a razão pela qual opto pelo Blog. Entendo que as possibilidades permitidas pela blogosfera são muito maiores do que as do facebook. Além disso, poder se livrar daquelas postagens defendendo penas de morte - redução de maioridades penais- o que se comeu no almoço - o que se comeu no jantar - o que gostaria de se comer no almoço - o que gostaria de se comer no jantar - é um argumento extremamente forte, não acham?