domingo, 30 de junho de 2013

DIAS CINZENTOS NA CAPITAL


Penso naquela cárie bastante profunda
Presente no dente molar do aluno da Uninove
Nos estômagos remexidos em razão das ressacas
Telefonemas e/ou mensagens que não foram dados
A despeito das promessas de que seriam

Jogos de computador, pornografia na internet
As horas escorrem rumo ao vazio
Dores nas costas, alongamentos que não foram feitos
Gorduras viscerais, comidas rápidas nas horas perdidas do dia ou da noite
Cartões de crédito, ingressos, bilhetes do metrô

O sentimento de estar envelhecendo
De deixar de ser uma possibilidade
E tornar-se um fracasso em definitivo
As cáries perserveraram doendo
O hálito de dente careado não estava bom
Mas os chicletes de menta o encobriram

Nas televisões colocadas nos ônibus
Há a notícia de que Ronald, filho de Ronaldo, o Fenômeno
Mudara o penteado
Trata-se da nova personalidade artística brasileira
Construída por bem formados publicitários da Escola de Comunicação
E Artes da Universidade de São Paulo

Naquele drink havia uma dignidade diferente
Era importado o whisk que o compunha
Um novo aparelho celular se repete aos milhões
Mãos descalejadas seguram-nos, e quase nunca os soltam
A chuva forte começou e
As mentes liquidadas lambuzam as calçadas

É mais um dia cinzento na Capital.








2 comentários:

  1. É incrível como é ao mesmo tempo triste e belo o que ao mesmo tempo é poético e realista.
    GK

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